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Risco Cardiovascular

Risco-CardiovascularAvaliação do Risco Cardiovascular

Autor: Dr. Daniel Xavier de Brito Setta

Uma das principais atividades realizadas em um consultório de cardiologia consiste em avaliar e calcular o risco de um indivíduo, mesmo que assintomático, apresentar doenças cardiovasculares ao longo de sua vida.

Entende-se como doenças cardiovasculares não apenas a doença arterial coronariana com suas diferentes apresentações (angina estável, angina instável, ou infarto agudo do miocárdio) mas também as doenças cerebrovasculares que levam ao acidente vascular cerebral (AVC), a doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) e a insuficiência cardíaca.

A avaliação precisa deste risco, realizada por um médico, é fundamental para que se possa propor o tratamento clínico mais adequado para cada tipo de paciente com diferentes estratégias e diferentes metas terapêuticas.

Para o cálculo deste risco, o cardiologista utiliza informações extraídas da anamnese (história clínica) e do exame físico além da história patológica pregressa, dos hábitos de vida e da história familiar prévia de doenças cardiovasculares. Alguns exames complementares também poderão ser úteis em ocasiões específicas para aprimorar o cálculo deste risco.

Para estimar o risco da doença cardiovascular em pacientes assintomáticos e sem doença cardiovascular conhecida, foram criados os chamados escores de risco baseados em análises de grandes estudos populacionais. A utilização destes escores pode aprimorar substancialmente o cálculo deste risco. 


Os escores mais amplamente utilizados pelos cardiologistas são:

  • O Escore de Risco de Framingham
  • O Escore de Risco de Reynolds
  • O Escore de Risco Global 

Basicamente estas ferramentas irão pontuar diferentes variáveis clínicas e laboratoriais chegando a um cálculo do risco de um evento cardiovascular em 10 anos.

As variáveis contempladas nestes escores são: sexo, idade, dosagem do colesterol total, dosagem do HDL colesterol, presença do tabagismo, tratamento para hipertensão, pressão arterial sistólica, história familiar para doença arterial coronariana precoce e dosagem no sangue da proteína c reativa PCR-T.

Pacientes que já manifestaram doença arterial coronariana nas suas diferentes formas de apresentação (angina ou infarto), AVC, doença arterial periférica, procedimentos de revascularização arterial (percutâneos por meio de stents ou cirúrgicos), insuficiência cardíaca ou mesmo os equivalentes como diabetes melito 1 ou 2 ou doença renal crônica devem ser encarados como pacientes de alto risco e tratados como tal. Nestes casos os escores não devem ser aplicados pois o risco já esta estabelecido. 


Calculadoras eletrônicas com estes algoritmos podem ser facilmente encontradas na internet.


Com base nestas calculadoras serão considerados de BAIXO RISCO, aqueles com probabilidade < 5% de apresentarem os principais eventos cardiovasculares (doença arterial corona­riana – DAC, AVC, doença arterial obstrutiva periférica ou insuficiência cardíaca) em 10 anos. Os pacientes classifica­dos nessa categoria e que apresentem histórico familiar de doença cardiovascular prematura serão reclassificados para risco intermediário.

São considerados de risco INTERMEDIÁRIO, homens com risco calculado ≥ 5% e ≤ 20% e mulheres com risco calculado ≥ 5% e ≤ 10% de ocorrência de algum dos eventos citados.

E são considerados de ALTO RISCO, aqueles com risco calculado > 20% para homens e >10% para mulheres no período de 10 anos.

Os pacientes de risco intermediário que apresentarem fatores de agravantes de risco deverão sem reclassificados para alto risco. São considerados fatores agravantes:

  • História Familiar de doença arterial coronariana prematura (parente de primeiro grau masculino < 55 anos ou feminino < 65 anos)
  • Microalbuminúria (30-300 mg/min) ou macroalbuminúria (>300 mg/min) (presença de proteína na urina)
  • Hipertrofia Ventricular Esquerda (avaliada pelo ecocardiograma)
  • Proteína-C reativa de alta sensibilidade > 3 mg//L
  • Evidência de doença aterosclerótica subclínica Estenose/espessamento de carótida (EMI) > 1mm. (observado ao doppler de carótidas e vertebrais)
  • Escore de cálcio coronário > 100 ou > percentil 75 para idade ou sexo
  • Índice tornozelo braquial (ITB) < 0,9

 

Concluindo, o cálculo preciso do risco cardiovascular realizado por um profissional habilitado possibilita não apenas prever a possibilidade de um evento cardiovascular ao longo da vida, mas principalmente, permite o estabelecimento de diferentes metas terapêuticas específicas para cada faixa de risco. 


 Como forma de reduzir estes riscos as seguintes recomendações poderão ser empregadas após uma avaliação cardiológica minuciosa:

  • Evitar o sedentarismo realizando atividades físicas regulares e adequadas para cada situação clínica (necessária avaliação médica).
  • Combater a obesidade / Hábitos dietéticos saudáveis.
  • Evitar o tabagismo.
  • Tratar a dislipidemia (alterações do colesterol e triglicerídeos) de acordo com o seu perfil de risco cardiovascular. Cada perfil de risco deverá ter uma meta (faixa alvo) diferente. Observação: O uso de medicamentos para o tratamento da dislipidemia jamais deverá ser feito sem supervisão médica, pois pode levar a graves danos à saúde.
  • Controlar a hipertensão arterial seja através de mudanças nos hábitos de vida (dieta com pouco sal, atividades físicas) ou através do tratamento farmacológico que sempre deverá ser prescrito e supervisionado regularmente por um médico. Observação: O uso de medicamentos para o tratamento da hipertensão jamais deverá ser feito sem a supervisão médica, pois pode levar a graves danos à saúde.
  • Combater o diabetes através de mudanças nos hábitos de vida e tratamento farmacológico orientado por médico capacitado. Observação: O uso de medicamentos para o tratamento do diabetes jamais deverá ser feito sem supervisão médica, pois pode levar a graves danos à saúde.

Síndrome Metabólica

ateromaSíndrome Metabólica

Autor: Dr. Daniel Xavier de Brito Setta

A síndrome metabólica caracteriza-se por uma série de alterações orgânicas, clínicas e laboratoriais, decorrentes de hábitos de vida inadequados, típicos da vida urbana moderna, que acabam por aumentar os riscos de doenças cardiovasculares. Seu impacto tem recebido grande destaque pela mídia e sociedades médicas, uma vez que a prevalência da doença cresce progressivamente em todo o mundo.

Existem diferentes definições para a síndrome metabólica. A mais amplamente utilizada requer a presença de três ou mais dos critérios listados abaixo para a confirmação diagnóstica:

Critérios Parâmetro
• Obesidade abdominal
Homens  ≥94 cm
Mulheres  ≥80 cm
 • Triglicerídeos  ≥150 mg/dl
 • HDL-colesterol
 Homens  <40 mg/dl
 Mulheres  <50 mg/dl
 • Pressão arterial
 Sistólica  ≥ 130 mmHg ou tratamento para hipertensão arterial
 Diastólica  ≥ 85 mmHg ou tratamento para hipertensão arterial
• Glicemia  Jejum ≥100 mg/dl 


A
síndrome metabólica pode levar a um aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio, o acidente vascular cerebral e da mortalidade cardiovascular em até duas vezes. Diferentes mecanismos fisiopatológicos estão envolvidos neste processo como:

1. Resistência à ação da insulina levando a elevação da glicose no sangue, constrição das artériase retenção de sódio.
2. Maior produção hepática de triglicerídeos e LDL- colesterol acelerando a formação e progressão da placa de ateroma (placa rica em colesterol que provoca obstrução arterial).
3. Criação de um estado pró-trombótico (propenso a tromboses) na circulação que pode levar a obstruções arteriais agudas causando infarto agudo do miocárdio (IAM) ou o acidente vascular cerebral (AVC).
4. Criação de um estado de pró-inflamatório (inflamação exacerbada) que pode levar a instabilidade nas placas de ateroma tornando-as mais frágeis e propensas a rupturas. Estas placas rotas acabam por causar oclusões arteriais agudas responsáveis por quadros de IAM e AVC.
5. Obesidade causando hipertensão arterial, elevação dos níveis de colesterol e triglicerídeos, e resistência à ação da insulina (hormônio que reduz os níveis de glicose no sangue)..

Diferentes estudos apontam fatores de risco que propiciam à síndrome metabólica como: sexo masculino, baixa escolaridade, sedentarismo, obesidade na adolescência, história familiar de diabetes ou hipertensão e baixa ingestão de proteínas. Alguns transtornos psiquiátricos também parecem estar correlacionados à síndrome metabólica. O consumo de frutas parece reduzir os riscos da síndrome metabólica. Além disso algumas medidas podem ser empregadas para o controle e tratamento desta síndrome.

• Redução do peso em um ano e manutenção da perda do peso posteriormente.
(após avaliação médica / nutricional)
• Dieta com baixa quantidade de gordura total e saturada, assim como de gordura trans, além de incluir quantidades adequadas de fibras.
(após avaliação médica / nutricional)
• Atividade física por um período superior a 30 minutos por dia, preferencialmente de 45 a 60 minutos dia, 5 dias por semana
(após avaliação médica).
• Redução da ingestão de gordura saturada e colesterol na dieta.
(após avaliação médica / nutricional)
• Tratamento farmacológico da dislipidemia (alteração no colesterol e triglicerídeos) e da intolerância à glicose poderão ser empregados após avaliação médica criteriosa.

Risco Cirúrgico

risco-cirurgicoO risco cirúrgico consiste em uma avaliação médica, baseada na história clínica (anamnese) coletada no consultório, no exame físico e em alguns exames complementares. Esta avaliação habitualmente é realizada por um clínico ou cardiologista. Nesta consulta, são levantadas informações importantes que ajudam a minimizar os riscos de complicações após uma cirurgia.

Podemos destacar os seguintes dados relevantes que precisam ser levantados nesta abordagem:

1- Dados demográficos, sociais, culturais como idade, gênero, orientação religiosa, restrições alimentares, aceitação de transfusão de sangue e hemocomponentes, se necessário.

2 -Informações sobre a doença de base que motivou a indicação do procedimento cirúrgico. É importante avaliar a real necessidade de realização do procedimento cirúrgico proposto frente às peculiaridades de cada caso, pesando riscos e benefícios.

3 -Investigação minuciosa sobre doenças previamente existentes como hipertensão arterial sistêmica, angina, insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio, arritmias, doenças nas válvulas cardíacas, doença vascular periférica, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência renal, doenças hepáticas, doenças da tireoide, hemorragias ou tromboses vasculares.

4 -Avaliação do tratamento e controle adequado das patologias previamente identificadas.

5- Levantamento das medicações de uso regular, fitoterápicos, álcool, drogas ilícitas que possam interferir com o ato anestésico e cirúrgico. Cabe ao médico responsável pelo risco cirúrgico orientar o manejo das medicações nos momentos que precedem a cirurgia e após o ato operatório. Drogas que interferem na coagulação sanguínea, para o tratamento do diabetes, da hipertensão, reposição hormonal e imunossupressores devem receber atenção especial nesta etapa.

6- Levantamento detalhado das cirurgias realizadas anteriormente bem como de complicações relacionadas aos atos cirúrgicos e anestésicos (sangramentos, infecções, alergias, dificuldade para intubação...).
Levantamento de alergias.

7 -Informações do cirurgião sobre a urgência e o risco do procedimento; local onde será realizado, disponibilidade de Unidade de Terapia Intensiva, suporte técnico de pessoal e de equipamentos, tipo de anestesia, tempo cirúrgico e necessidade de transfusão.

8 -Esclarecimento de dúvidas do paciente e de seus familiares com relação ao procedimento e seus riscos. Ciência e acordo quanto ao risco e aos benefícios dos procedimentos propostos.

9 -Ciência de que o risco cirúrgico não se limita ao transoperatório e, eventualmente, haverá necessidade de acompanhamento tardio, momento em que é importante entrar em contato pessoalmente, ou por algum meio de comunicação, com o cirurgião ou com o anestesista.

Concluindo, o risco cirúrgico é uma avaliação médica extremamente importante para a realização de uma cirurgia segura. Deve ser realizado por um clínico capacitado que poderá ser recomendado pelo cirurgião ou mesmo pelo clínico de confiança de cada paciente. Nesta avaliação, serão compensadas doenças pré-existentes e pesados riscos e benefícios de cada procedimento cirúrgico proposto.